Redação 11: Clichê




Este é o Gramaticando de Número 11. 

Até agora, nós falamos a respeito da argumentação, ou seja, do conteúdo do texto, da "alma" do texto. Agora, é hora de falarmos do "corpo", da estética, da aparência. 

E vamos começar falando de uma coisa importantíssima que você deve evitar, a todo custo, em sua redação. Essa coisa estraga e acaba com a sua redação por melhores que sejam as suas intenções. O nome dessa coisa horrível é CLICHÊ, também conhecida como AQUILO QUE NÃO DEVE SER PRONUNCIADO.

O clichê tem um efeito devastador em seu texto. É a mesma coisa que "chegar numa mina linda e maravilhosa na balada" e perceber que ela não tem dente (viu que horror?). O clichê é isso: são os dentes que faltam na sua redação, dando um aspecto horroroso. E não existe dentadura nem Corega para consertá-la.

O clichê é o "senso comum" das expressões. São aquelas expressões que todo mundo usa e que todo mundo está cansado de ouvir. Então, aí vai uma listinha com alguns exemplos de clichês que você deve, acima de tudo, evitar em sua redação:

desde os primórdios da humanidade
nos dias de hoje
nos dias atuais.
atualmente
com base nos fatos mencionados, conclui-se que
para concluir
luz no fim do túnel
no fundo do poço
um caso de amor e ódio
é preciso que todos se conscientizem
caixinha de surpresas
como o diabo foge da cruz
a pergunta que não quer calar
agradar a gregos e a troianos
pedras no sapato
faca de dois gumes
se cada um fizer a sua parte
fechar com chave de ouro
voltar à estaca zero
aparar as arestas
nós, brasileiros
nós, seres humanos
é conveniente para o governo que
crítica construtiva
nunca antes na história da humanidade
nunca antes na história do Brasil
só assim conquistaremos a vitória
nos quatro cantos do mundo
tocar corações e mentes
correr atrás do prejuízo
obra faraônica
a todo vapor
dar a volta por cima
em alto e bom tom
preencher uma lacuna
deixou a desejar
do Oiapoque ao Chuí
quem tem boca vai a Roma
começar com o pé direito
antes de mais nada
inserido no contexto
rota de colisão
mão na roda
está na moda


E algumas citações, por serem usadas demais, também caíram no caso dos clichês:

Só sei que nada sei (Sócrates)
Tudo vale a pena quando a alma não é pequena (Fernando Pessoa)
Da onde eu vim? Para aonde eu vou? 



Clichês são todas aquelas expressões "prontas" e "clássicas". Eles estragam o seu texto, dizendo: "olhe! Eu gosto de Zorra Total! Eu gosto de A Praça é Nossa!" (nada contra esses programas, ok?). Ou então, é a mesma coisa que dizer: "Vejam! Eu sou preguiçoso! Não gosto de ser original! Eu gosto mesmo é de escrever o que todo mundo escreve!".

Além dos clichês, você deve evitar informalismos (onde, a gente, etc...) gírias e expressões vagas (todo mundo, sempre, nunca, todos, etc...).

Como evitar todas essas expressões e ser original? Resposta: através da leitura.

Eu já disse várias vezes que a leitura é o principal segredo da redação e é justamente por isso que não existe nenhuma fábrica de fazer escritores profissionais instantâneos. Continue com o seu dever de casa, acessando portais de notícias. Em cada artigo que você ler, você estará absorvendo, de modo inconsciente, o modo correto de escrever. Lá pelas tantas, você vai pensar: "Humm... eu li em algum texto que bom-dia tinha hífen, que dia a dia não tinha, etc..." Simplesmente por ler, você aprimorá a sua ortografia e também o seu poder de argumentação.


Continua em breve...

18 comentários:

  1. Tudo bem? Estou com uma grande dúvida, será que eu poderia iniciar uma redação já me posicionando sobre o tema? Como o exemplo dado: trânsito, um problema sem solução? eu já poderia, de cara me posicionar a respeito? Me responda, por favor!!!

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  2. Na verdade, você DEVE se posicionar no parágrafo introdutório.

    A introdução deve indicar a tese, a opinião do autor a espeito do tema sem desenvolvê-lo (tarefa dos parágrafos de desenvolvimento). A introdução indica qual é o posicionamento do autor perante o tema. Uma técnica útil é contextualizar o tema abordado, dando algum tipo de informação e, juntamente com ela, expressar a sua opinião (sempre de modo impessoal).

    Caso se interesse, você pode enviar o seu texto para o Plantão Redação. Acesse o tópico "redações corrigidas" na coluna esquerda da página do blog.

    Um abraço e obrigado pela participação. Sua dúvida é importante.

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  3. MUITO BOM TA DE PARABÉSN
    E TOMARA QUE VC DE CONTINUIDADE RS
    GRANDE ABRAÇO ANDRE GOMES

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  4. Eu é que agradeço a você. Vou mandar minha redação sim, valeu. E, só para constar, aqui em casa seu blog ajuda desde a mamãe (eu), passando pela minha menor e chega a vestibulanda mais velha. Você é ótimo, parabéns.

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  5. Tenho uma dúvida sobre clichês de citação, é verdade que citar Bauman no que se diz respeito a relações líquidas e da pós modernidade é um clichê? E teriam outros autores que também já caíram no senso comum?

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    1. Acredito que não, tendo em vista que Bauman não é tão conhecidos pela sociedade como um todo. O que caracteriza o clichê é o fato de ele ser quase "universal", ser amplamente usado por todo o tipo de pessoa. São expressões clássicas. Estamos falando em "senso comum". Será que Bauman faz parte do senso comum?

      Dizer, por exemplo, "só sei que nada sei" é um tipo de clichê, já que é praticamente a frase mais famosa da Filosofia. Antes de eu ter aulas de Filosofia eu já conhecia essa frase (ainda como criança). Agora, "conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses", outra frase de Sócrates, não pode ser considerada um clichê porque não caiu no senso comum. Logo, um mesmo autor pode ter clichês e também citações menos conhecidas.

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  6. Muito fácil colocar o que não usar agora quero ver o que usar

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    1. Bem, talvez as nossas redações corrigidas podem ajudá-la a ver que é possível escrever sem cair no vício dos clichês.

      http://www.comoescreverumaboaredacao.com/search/label/Reda%C3%A7%C3%B5es%20Corrigidas

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  7. Posso usar a palavra "Portanto" no inicio da conclusão?
    Por exemplo:
    "Portanto, o grande legado da Copa Do Mundo, no Brasil, é imposto por grandes contrastes sociais..."
    Por favor, me responde rápido.

    Grato.

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    1. Não só pode como é recomendável começar a sua conclusão com algum tipo de conector que faça o "link" com o restante do texto (pois a conclusão vai retomar o que foi desenvolvido ao longo da redação). Você pode começar o último parágrafo com "portanto", "logo", "diante disso", entre outros (expressões que por si só já transmitem a ideia da conclusão). Você só não pode escrever "concluindo", "para concluir" ou qualquer outra coisa parecida, pois o último parágrafo só pode ser o de conclusão.

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  8. É verdade que uso da primeira pessoa do plural(Nós) empobrece o texto? E em casos em que a palavra "nós" está omitida e um verbo encontra-se conjugado na primeira pessoa do plural?

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    1. Não é que "empobrece", mas sim é inadequado tendo em vista que a redação dissertativa é impessoal. Portanto, devemos evitar o uso da primeira pessoa (tanto o"eu" quanto o "nós"). Ao invés de dizer "eu percebo que a sociedade está etc", você pode dizer "percebe-se que a sociedade está etc".

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  9. Posso usar a metalinguagem na redação do ENEM?
    Como por exemplo:
    " É preciso destacar, antes de tudo, que a liberdade..."
    " Outro Fator importante, é que o uso de Bebidas alcoólicas ingeridas por jovens..."

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    1. A metalinguagem é outra coisa: é quando usamos um tipo de linguagem para falar dela própria. Exemplo: uma poesia que fala sobre poesia, um desenho de um desenho sendo feito, um filme sobre um filme e por aí vai. Não identifiquei metalinguagem em seus exemplos, mas também não vi nenhum problema (tirando a vírgula do segundo exemplo que não foi bem empregada).

      Na redação, você pode usar metáfora, metalinguagem e etc. Porém, você deve saber exatamente o que está fazendo, pois você terá dois resultados: ou o que você fez foi algo brilhante e criativo, ou então ele estragou a sua redação.

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    2. Ao falar "É preciso destacar, antes de tudo," eu estou dizendo no texto oque é preciso conter naquele paragrafo. Ou seja eu, autor, estou falando do meu próprio texto. Isso não seria metalinguagem não?

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    3. O termo "outro fator importante" compre a função sintática de um aposto, não? Na minha concepção, quando há um aposto é necessário separa-lo por virgulas. O que errei?

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    4. Não, não...

      Você faria metalinguagem se o tema da redação fosse, por exemplo, "escrevendo uma dissertação". Então você iria fazer uma dissertação sobre uma dissertação.

      Não há nada de errado em escrever "é preciso destacar, antes de tudo". Ao escrever isso você está sinalizando ao leitor qual é o argumento principal de seu texto, chamando a atenção dele.

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    5. "Outro fator importante" é o mesmo que escrever "além disso", ou seja: é uma expressão que acrescenta uma nova ideia, cumprindo o papel dos conectores e contribuindo para a coesão textual. Não é aposto.

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