Redação 6: como não argumentar




Este é o GR de número 6. 

No Módulo 1 (GR 1 ao 5), nós aprendemos a ARGUMENTAR. Agora, nós vamos aprender como NÃO ARGUMENTAR. 

Da mesma forma que existem formas corretas e poderosas de argumentação (causa e consequência, exemplificação, etc...), existem modelos argumentativos que você precisa evitar. Eu me refiro às "falácias", aos erros de lógica, aos falsos argumentos. Vamos ver alguns deles hoje.

1) PROBLEMA DA FALSA ANALOGIA

Veja este exemplo:

"Podemos fazer provas sem consulta no colégio. Afinal, o advogado consulta as leis de vez em quando para poder defender os seus casos, não é verdade? Ou será que ele realmente decorou todas as leis da Constituição?"

À primeira vista, esse exemplo pode até parecer convincente. Porém, existe um detalhe: alunos de um colégio possuem propósitos diferentes dos de um advogado em exercício de suas funções. A proposta do colégio é avaliar os alunos em formação. Portanto, não posso comparar advogados com alunos. Os critérios são diferentes e, portanto, não posso estabelecer uma analogia (comparação) entre os dois. O mesmo ocorre com este clássico exemplo:

"Governar o Brasil é como gerir uma empresa. Assim, como a gestão de uma empresa responde unicamente ao lucro dos seus acionistas, também a governação deve fazer o mesmo."

É claro que governar uma nação é diferente de gerir uma empresa. Não podemos comparar e igualar as duas coisas. A empresa tem como objetivo primordial o seu crescimento e o seu lucro. Já o governo possui muitas outras variáveis. Além de seu crescimento econômico, ele precisa pensar em dezenas de outros aspectos, como política externa, IDH, pobreza, infraestrutura, sustentabilidade, educação, etc... É algo extremamente complexo.

Portanto, ao estabelecer analogias (comparações ilustrativas) em sua redação, tome cuidado para comparar de modo lógico e coerente.

2) O EXEMPLO E A NARRAÇÃO

Já foi dito no módulo 1 que os exemplos são ferramentas interessantes na redação. Porém, se você abusar deles, acabará transformando seu texto argumentativo em narrativo. Afinal, quanto mais linhas você dedicar aos exemplos, mais linhas você está dedicando à narração. Portanto, use um ou dois exemplos objetivos e oportunos na redação.

3) O CICLO VICIOSO 

"A fábrica de enlatados é boa porque os funcionários são bem pagos porque a fábrica tem um bom faturamento porque ela é boa."

Esse é um exemplo de argumento circular. Você fica ali, patinando no mesmo lugar, terminando pelo início, ou seja: correndo atrás do rabo. Ou então, ao invés de ficar dando círculos no mesmo lugar, você acaba repetindo a mesma coisa com outras palavras. Por exemplo:

"João é pobre. Ele não tem dinheiro. Ele não é rico."

Veja, nesse exemplo, que eu disse a mesma coisa três vezes. No caso de redação, poderíamos exemplificar de outro modo:

"A sustentabilidade é um tema importante para um país continental como o Brasil. Afinal, as proporções de nossos país são gigantescas e, desse modo, o tema referente aos aspectos sustentáveis de nossos recursos se tornam muito importantes, pois, de fato, o Brasil é um país continental."

Veja que eu escrevi várias vezes a mesma coisa usando outras palavras. Isso é um erro de argumentação. Isso é correr atrás do rabo. Isso é dar círculos, é dar voltas no mesmo lugar. Isso é tentar enrolar o leitor. Isso é patinar no mesmo lugar. E é isso que eu estou fazendo agora.

4) O MEIO-TERMO 

Quando escrevemos uma redação nós precisamos ter um posicionamento claro, ou seja: uma opinião bem definida. Se você ficar em cima do muro, você não está comprometido com os propósitos da redação argumentativa, como por exemplo:

"O vinho faz bem à saúde. Porém, ele faz mal também". 

Veja que temos um problema grave aqui. Eu não expressei a minha opinião. Simplesmente disse que o vinho faz bem e faz mal à saúde. Ou eu escolho uma das duas posições, ou então eu trato de argumentar com condições lógicas. Por exemplo:

Argumentando com condições lógicas:

"O vinho, em poucas doses, faz bem ao coração. Porém, por ser uma bebida alcoólica, pode se tornar um perigo à saúde se for consumido em excesso, podendo causar a dependência. Portanto, é melhor que você não beba caso não consiga consumi-lo com moderação."

Escolhendo uma das posições:

"O vinho é uma bebida alcoólica e, como tal, pode causar dependência, tornando-se um mal à saúde."

Veja que você não pode ficar dividido entre duas questões. Caso fique, crie condições para consolidar a sua opinião (ex: vinho é bom dependendo de seu consumo).

5) OU UM... OU OUTRO

O problema do "meio-termo" pode evoluir para "ou um... ou outro". Veja:

"O problema do trânsito é causado pelo excesso de veículos ou pela limitação dos transportes públicos." 

O exemplo está dizendo que o trânsito é causado por apenas esses dois problemas: veículos e transporte público. E a infraestrutura, baseada nas rodovias que precisam ser duplicadas? E as ruas esburacadas, que reduzem a velocidade e causam transtornos?

Não podemos restringir as causas do trânsito por dois únicos fatores. Existem outros, mesmo que sejam menos importantes. Para evitar esse problema argumentativo, o ideal seria escrever:

"O excesso de veículos e a má qualidade do transporte público são os principais fatores que causam transtornos no trânsito."

Ou então:

"Dentre vários fatores, o excesso de veículos e a má qualidade do transporte público são os problemas que mais causam transtornos no trânsito". 

Vamos terminar o GR 6 por aqui. Antes que eu me esqueça, vamos falar de seu dever de casa.

Você já estudou, no Módulo 1, a respeito de Política (interna e externa) e de Economia. Agora você deve separar essa semana para ler a respeito de Sustentabilidade.

Para você, o que é Sustentabilidade? O que significa recursos renováveis e não-renováveis? Como isso se aplica ao Brasil, um país continental, um "gigante pela própria natureza"? O que significa a Amazônia para o Brasil e para o mundo? Do jeito que o mundo anda, como viveremos em 2050? Que mundo você quer deixar para os seus filhos e para os seus netos? Você se importa com isso?


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