Redação 8: O Senso Comum




Este é o GR de número 8. 

Nos GRs de números 6 e 7, nós falamos a respeito de como NÃO argumentar na redação discursiva. No GR 6 eu citei cinco dicas importantes que devem ser levadas em conta na hora de escrever e no GR 7 nós falamos a respeito da coerência. 

Hoje, vamos encerrar a parte do "como NÃO argumentar" falando de outro ponto importante: o SENSO COMUM. 

Você pode argumentar perfeitamente bem usando as técnicas de argumentação (exemplificação, causa e consequência, citação, etc...). Porém, a sua redação precisa ter uma coisa chamada "originalidade". É aí que entra o "pulo do gato": não é preciso ter ideias mirabolantes para ser original. Para você escrever com originalidade basta evitar o chamado "senso comum".

O senso comum é formado por aquelas ideias prontas e universais, do tipo "Maria vai com as outras".

A mais clássica delas é a "conscientização da população", solução universal para todos os problemas da humanidade. Se o tema é "sustentabilidade", a redação vem escrita assim: "é preciso conscientizar a população a respeito da sustentabilidade". Se o tema é "trânsito", a redação vem escrita assim: "é preciso conscientizar a população a usar mais o transporte público a fim de diminuir a quantidade de veículos usados por uma única pessoa". Se o tema é "convivência em sociedade", a redação vem assim: "é preciso conscientizar as pessoas a respeito da vida da sociedade, levando-as a refletirem que a liberdade pessoal não deve comprometer a de outra pessoa".

E por aí vai... "é preciso conscientizar" pra cá, "é preciso conscientizar" pra lá e pronto: a redação está feita, de modo genérico, sem originalidade, sendo guiada pelo senso comum da conscientização.

Outro exemplo é o "Governo milagreiro". O senso comum diz que todos os problemas do Brasil são culpa do Governo e somente ele é capaz de resolvê-los, como se ele fosse uma espécie de super-homem. Se o tema é "o problema da educação", esse problema é causado pela falta de investimento do Governo. Se o tema é "problema da saúde", essa situação só pode ser resolvida pelo investimento do Governo. Se o tema é "problema na infraestrutura", esse problema é causado unicamente pelo Governo e só pode ser resolvido por ele. E, mais uma vez, acabamos de escrever uma redação embalada pelas ideias do senso comum, culpando o Governo por todos os problemas do país e atribuindo a ele um ar de "milagreiro", como se a solução para eles fosse um maior investimento por parte do Estado (como se ele esbanjasse dinheiro e tivesse um superávit infinito).

Outro exemplo do senso comum: "todos os políticos são corruptos, ladrões e etc...". Então, tudo o que acontece de ruim no Brasil é por culpa da dona corrupção.

Ora, primeiramente, quem enfia o camarada de terno e gravata lá dentro do Congresso Nacional? Não é a toa que existe uma máxima que diz: "a nação tem os governantes que merece ter". Afinal de contas, somos nós que temos o poder de votar e de escolher quem vai para o planalto e, além disso, nós temos o compromisso, como cidadãos, de acompanhar os fatos políticos de nosso país, fazendo jus a nossa democracia. Agora, ficar simplesmente dizendo que "político é ladrão" sem ao menos buscar saber o mínimo de Política é típica coisa de alguém que fica na "massa", que atola no "senso comum", que não pensa, mas sim é "pensado" pelos outros.

Estar no senso comum é se deixar levar pelo o que todo mundo diz; é não se preocupar em pensar, mas sim deixar ser pensado pelos outros, concordando com o que todo mundo diz. Assim acontece na redação: o avaliador pega aquela pilha de papeis e corrige diversos textos semelhantes, todos falando que o "povo precisa se conscientizar" e que "o Governo precisa investir mais nisso, mais naquilo" e etc...

Então, eis que aparece uma redação que argumenta de um jeito diferente, dizendo, por exemplo, que a iniciativa privada pode aliar a sua imagem à sustentabilidade, ganhando a credibilidade de seus clientes pela sua iniciativa e consolidando a sua marca no mercado além de chamar a atenção para a preservação ambiental. Enquanto isso, dezenas de redações dizem que a sustentabilidade é resolvida pela tal da "conscientização do povo em preservar a natureza". Qual das redações tem mais originalidade?

Portanto, jamais esqueça isso: "ser original não é ser inovador, mas sim ser diferente, fugindo do senso comum." E para fugir do senso comum você precisa ter mais leituras, ou seja: você precisa ter mais bases conceituais. Desde o início do Gramaticando Redação, eu sugeri temas para sua leitura, como Economia, Política, Sustentabilidade, Sociedade e etc... Somente assim você poderá desenvolver o seu espírito crítico, ser mais criativo, ser mais original e fugir do monstro do "senso comum". Isso faz muita diferença numa redação... Muita diferença mesmo!

Portanto, nesse último artigo sobre "como NÃO argumentar", apontamos esse grande segredo: JAMAIS siga o SENSO COMUM. Jamais queira dizer o que todo mundo diz, jamais queira ser "pensado" pelos outros. Amplie as suas leituras, agregue conhecimento de mundo e pense por si só, tirando suas próprias conclusões.

Isso não é só para a redação. Isso é para a vida...

O seu dever de casa para essa semana será ler a respeito de algum assunto diferente dos propostos até então. Depois de Política Interna, Política Externa, princípios de Economia, entre outros, chegou a sua vez de decidir o que quer ler. Pense talvez na história das artes, ou então nos direitos humanos e da sociedade. Pense novamente na Política e busque entender, de uma forma mais profunda, as diferenças entre direita e esquerda, os prós e os contras de cada posição.

Eu gostaria que você, ao final dessa semana, pudesse olhar para si mesmo e dizer com afinco: "eu aproveitei essa semana para aprender mais sobre tal assunto".

Aquela ideia de que "se você não vai até a montanha ela vai até você" não funciona aqui. Se você não quiser ler, então ninguém poderá fazer isso por você :)


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2 comentários:

  1. Gostei muito da sua dic. Parabéns pelo seu trabalho.

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  2. Muito Bom! Parabéns!

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